Publicado a 10 de julho de 2025 — O primeiro Código de Práticas para modelos GPAI está em vigor.
O AI Office (Serviço para a IA) publicou o primeiro Código de Práticas para modelos de IA de propósito geral, desenvolvido em estreita colaboração com fornecedores de modelos, a comunidade académica, a sociedade civil e outras partes interessadas. Este Código constitui o instrumento central para demonstrar conformidade com as obrigações previstas nos Artigos 53 e 55.
Presunção de conformidade:
A adesão ao Código de Práticas cria uma presunção de conformidade com as obrigações do AI Act para modelos GPAI. Isto significa que, até que sejam publicadas normas harmonizadas europeias, os fornecedores que demonstrem adesão ao Código não precisam de apresentar provas adicionais de conformidade. Fornecedores que optem por não aderir terão o ónus de demonstrar, perante o Serviço para a IA, que dispõem de meios alternativos equivalentes.
Os 3 capítulos do Código de Práticas
1
Transparência e documentação
Define os requisitos detalhados para a elaboração de documentação técnica (conforme Anexo XI), a informação a fornecer aos utilizadores a jusante (conforme Anexo XII) e a publicação do resumo dos dados de treino. Estabelece modelos concretos, níveis de detalhe exigidos e prazos para atualização da documentação. Aplica-se a todos os fornecedores GPAI.
2
Conformidade com direitos de autor
Detalha as medidas técnicas e organizativas que os fornecedores devem implementar para respeitar a legislação europeia de direitos de autor. Inclui orientações práticas sobre como identificar reservas de direitos (opt-out de TDM), implementar mecanismos de rastreio, manter registos e responder a reclamações de titulares de direitos. Aplica-se a todos os fornecedores GPAI, incluindo open source.
3
Segurança e gestão de riscos para modelos com risco sistémico
Aplicável exclusivamente a modelos classificados com risco sistémico. Define protocolos para avaliação normalizada do modelo, metodologias de testes adversariais, frameworks de avaliação e mitigação de riscos sistémicos, procedimentos de monitorização e reporte de incidentes ao AI Office, e requisitos de cibersegurança. Inclui orientações específicas sobre como identificar riscos para a saúde, segurança, direitos fundamentais e processos democráticos.
Atualização contínua: O Código de Práticas será revisto e atualizado periodicamente pelo AI Office para refletir a evolução tecnológica, as melhores práticas da indústria e a experiência acumulada na sua aplicação. As partes interessadas são convidadas a contribuir para o processo de revisão.